Crise na indústria da bicicleta: Bianchi busca recuperação e Ghost sobrevive sob nova direção
Enquanto a tradicional fabricante italiana enfrenta uma dívida de aproximadamente 100 milhões de euros, a alemã Ghost tem sua marca adquirida pela Bike Tree GmbH, após anunciar o encerramento das atividades da empresa original.

Créditos de imagem: Ramon Karolan/Pexels
A indústria mundial da bicicleta continua enfrentando dificuldades financeiras, reflexo da queda nas vendas após o crescimento extraordinário durante a pandemia, do excesso de estoques e de estratégias de expansão que não acompanharam a realidade do mercado. Os casos da italiana Bianchi e da alemã Ghost ilustram esse cenário, embora apresentem desfechos diferentes.
Com 141 anos de história, a Bianchi iniciou um processo de reestruturação financeira com proteção judicial contra credores. A empresa acumulou aproximadamente 28 milhões de euros em prejuízos entre 2023 e 2025 e registrava cerca de 100 milhões de euros em dívidas no final de 2024, dos quais 64,3 milhões correspondiam a compromissos bancários.
A fabricante, no entanto, continua operando e pretende concentrar seus investimentos nos segmentos de estrada, gravel e bicicletas de alto desempenho. Segundo a direção, os primeiros produtos dessa nova estratégia devem chegar ao mercado no início de 2027. O processo de negociação com os credores tem prazo inicial até janeiro de 2027, com possibilidade de extensão até maio.
Já a Ghost, que havia anunciado o encerramento de suas atividades após o processo de insolvência do grupo Accell, teve seu futuro redefinido em uma negociação de última hora.
Em 6 de novembro, foi confirmada a aquisição da marca e de seus direitos de propriedade intelectual pela Bike Tree GmbH, empresa ligada ao grupo de Singapura Tri Star Group/DuTech Holdings Limited. A operação permitirá que a Ghost continue existindo no mercado, agora sob nova propriedade.
A aquisição ocorre depois de a Bike Tree também assumir as marcas alemãs Winora e Haibike, ampliando seu portfólio no setor de bicicletas.
Apesar da continuidade da marca, a empresa original, Ghost-Bikes GmbH, seguirá em processo de encerramento. Os 53 funcionários que ainda integravam sua estrutura não tiveram a manutenção dos empregos assegurada. Também permanecem sem definição os procedimentos de garantia, assistência técnica e fornecimento de peças de reposição para os atuais proprietários de bicicletas Ghost.
Outro ponto de discussão envolve uma proposta de aquisição apresentada pela suíça Netcycle AG, que afirmava ter interesse em manter a operação e os postos de trabalho. Os responsáveis pelo processo de insolvência, porém, alegaram que a proposta não era vinculativa e apresentava condições inviáveis.
Os episódios reforçam os desafios de uma indústria que precisa rever seus modelos de negócio. Depois de anos de expansão acelerada, fabricantes e grupos empresariais enfrentam a necessidade de equilibrar produção, estoques, investimentos e rentabilidade.
Enquanto a Bianchi busca uma recuperação financeira, a Ghost ganha uma nova oportunidade de permanecer no mercado, embora sem preservar sua estrutura empresarial original. Dois casos diferentes que mostram como a indústria mundial da bicicleta passa por uma profunda reorganização.
Fonte:




Comentários