FEBRACA divulga mapeamento inédito e expõe a realidade da proteção animal no Brasil
- luandaeditores
- 12 de fev.
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Dados do 1º Relatório de Impacto da Causa Animal revelam um cenário de escassez: a maioria das organizações atua sem equipe formal (82%), nunca recebeu emendas parlamentares (72%) e realiza até cinco adoções por mês (56,1%).

A Federação Brasileira da Causa Animal (FEBRACA) lançou o 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil, um estudo inédito que mapeou 2.613 organizações não governamentais em atividade no país. Construído a partir de dados consolidados, o documento expõe a fragilidade estrutural do terceiro setor voltado à proteção animal. Embora o Brasil tenha o terceiro maior faturamento do mercado pet do mundo — estimado em R$ 77 bilhões —, 76% das ONGs apontam a falta de recursos financeiros como sua principal dificuldade, atuando sob constante pressão e escassez.
O levantamento apresenta um diagnóstico preciso sobre a capacidade operacional das instituições que estão na linha de frente do bem-estar animal. A precariedade administrativa impacta diretamente o acolhimento: o país registra cerca de 4,8 milhões de animais em situação de vulnerabilidade, enquanto os abrigos operam próximos da saturação. A taxa de rotatividade é crítica — a cada três animais que entram, apenas um consegue sair por meio da adoção.
Fragilidade estrutural e gestão
O estudo revela um cenário alarmante na estrutura organizacional das entidades. Atualmente, 82,2% das ONGs não possuem nenhum colaborador remunerado e dependem exclusivamente do trabalho voluntário. Em 70% dos casos, essa atuação ocorre de forma informal, sem termos de adesão previstos em lei. A deficiência também se reflete na governança: 61% das instituições não mantêm portal de transparência com relatórios financeiros ou de atividades, o que dificulta a construção de credibilidade junto à sociedade e potenciais investidores.
Isolamento financeiro
A asfixia orçamentária, mencionada por 76,1% das organizações, está diretamente ligada ao distanciamento das principais fontes de fomento. Segundo o relatório, 79% das ONGs não possuem parcerias com empresas privadas e 73% nunca firmaram convênios ou contratos de repasse com o poder público. A ausência de apoio governamental é expressiva: 72% afirmam jamais ter recebido emendas parlamentares. A sobrevivência dessas instituições depende, majoritariamente, de doações pontuais de pessoas físicas (62%).
Gargalo operacional e necessidades reais
A escassez de recursos e a falta de profissionalização resultam em baixa rotatividade nos abrigos. Mesmo superlotadas, 56,1% das ONGs conseguem promover apenas de uma a cinco adoções por mês. Para enfrentar esse cenário, as entidades defendem maior flexibilidade no uso de recursos. Não por acaso, 78,1% preferem receber doações financeiras em vez de produtos — uma vez que despesas estruturais, atendimento veterinário e custos operacionais não são supridos apenas com a doação de ração ou insumos.
Gestão estratégica gera resultados
Apesar do cenário desafiador, o relatório aponta caminhos concretos por meio da profissionalização. O programa MentoraPet, iniciativa de fortalecimento institucional destacada no estudo, demonstra o impacto da gestão estratégica: em apenas cinco meses, as ONGs participantes registraram aumento de 255% na receita e triplicaram o número de parceiros ativos.
O documento também destaca o potencial de articulação política e fiscal ainda pouco explorado. Propostas legislativas de incentivo, como a possibilidade de dedução no Imposto de Renda, poderiam gerar até R$ 1 bilhão por ano para o financiamento de cuidados e políticas de proteção animal.
O 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil será disponibilizado em versão pública nas redes sociais da Federação.




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