Covid-19 impacta no mercado que tenta minimizar os efeitos da crise

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Setor de duas rodas mostra resiliência e criatividade para vencer obstáculos impostos pela pandemia

Entrevistamos alguns players do mercado para saber como está a situação nas empresas do ramo de duas rodas em relação a vendas, faturamento, recebimento e perspectivas para atravessar pelo momento difícil vivido por todos nós com o advento Covid-19. Não há fórmula pronta para atravessar a crise, mas com bom senso e negociação entre todas as partes envolvidas é possível fazer a travessia e ainda agregar crescimento e empatia tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Toda crise é uma oportunidade em diversos momentos das nossas vidas.

 Veja abaixo algumas das principais ações implementadas pela Aliança Bike, Associação Brasileira do Setor de Bicicletas e algumas  empresas. Seguiremos realizando entrevistas com empresas e empresários dos segmentos de bikes e motos, que são os protagonistas que fazem o negócio acontecer.

| Daniel Douek, diretor da ISAPA

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
 A Isapa está lidando com toda esta situação com o máximo de cautela possível. Sabemos que é uma crise bastante séria e inédita no mundo e ninguém sabe exatamente como agir. O que estamos fazendo é tentar ao máximo preservar a saúde de todos os colaboradores, pois isso é o mais importante nesse momento. Sendo assim, grande parte do nosso pessoal do escritório está em sistema de home office,  enquanto uma outra parcela está em período de férias.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Nos nossos centros de distribuição, temos um quadro reduzido de colaboradores trabalhando para que possamos atender as necessidades dos nossos clientes. Os nossos representantes estão trabalhando de home Office, mas à disposição dos nossos clientes, assim como nosso departamento de vendas interno.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Acreditamos que é necessário respeitar o que dizem os especialistas da área da saúde, pois quanto mais respeitarmos suas recomendações, antes a economia vai começar a se recuperar, e portanto, antes poderemos retornar com nossas atividades normalmente.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Apesar de toda essa crise global, acreditamos que a bicicleta pode ser uma alternativa de meio de transporte bastante eficiente nesse momento. Sabemos que a economia vai sofrer, porém temos a certeza de que o mercado de bicicletas vai sair fortalecido e superar esta crise. Estamos juntos nessa batalha, e vamos vencer.

| Monica e Paulo Krasucki, sócios-diretores da Casa das Bicicletas Alberto

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Em 20/3 fomos pegos de surpresa com o fechamento total do comércio, corremos atrás das finanças pra liberar os funcionários com vale. Não seria justo dispensá-los sem dinheiro. Fizemos reunião no final do dia para esclarecer o COVID- 19 e recomendar cuidados divididos

Divulgamos nas redes sociais nosso fechamento e mencionamos número do WhatsApp  para contato, pois não conseguimos avisar a todos os clientes que dependem do serviço da oficina em sua bicicletas

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Iniciamos atendimento em 30/3 com horário normal, porém com rodízio de funcionários, tanto no balcão como na  oficina, em duas turmas. Trabalhamos com corrente na porta, com placa de “Não Entre, Aguarde Atendimento” atendendo na porta (calçada) o cliente só entra se for necessário para explicar o serviço do mecânico,  que é recebido com álcool gel oferecido pelo funcionário. Meus funcionários/colaboradores estão amparados com máscara, burrifador com álcool 70, e sabonete líquido à vontade para higiene.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Já vinhamos de crise financeira. Em janeiro e fevereiro senti que o comércio estava  aquecendo,  agora vem a quarentena, haja coração!!! E cabeça centrada.  No momento não temos intenção de dispensar funcionários, por isso o rodízio. Tenho sim alguns títulos já vencidos e há vencer. Tenho ligado aos fornecedores para negociar os vencimentos e até mesmo parcelar o título, fazendo depósitos semanais.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Respeitem a ordem dos Órgãos Públicos. Valorize o tempo e não reclame. Nada de aglomeração, mantenha distância ao sair e use a máscara. Tem como pedalar na sala no quarto,  há exercício que você faz e mantem o pedal sem esforço e utiliza a sua própria bike. Oferecemos serviço de leva e trás utilizando o logo fica em casa. Só ligar para agendar a retirada.


 

| Caetano Barreira, proprietário da Velodrome Bike Shop de SP

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Estamos lidando com cuidado extremo por um lado e apreensão por outro.  Já que somos serviço essencial e acreditamos no poder da bicicleta para reduzir o alcance do COVID-19 e na melhoria geral de condição da vida nas cidades e no campo.

Acho que muita gente olha para os médicos e enfermeiros, mas pouca gente olha para todos os “invisíveis” que precisam trabalhar para sobreviver e manter o abastecimento e mobilidade saudável da população. Acho que meus funcionários são heróis, estão prontos para atender à população. Temos medo da contaminação, mas não nos furtamos à nossa responsabilidade.

Os funcionários que têm grupo de risco em casa estão fazendo Home Office, e os outros estão aqui, nosso café está fechado e a funcionária do café passou a fazer limpeza constante da loja, além da higienização das bikes que entram para serviços de manutenção, ela também oferece álcool gel ao cliente e dá orientações sobre o atendimento, assim como impede que mais de um cliente entre na loja para deixar ou retirar bicicleta. Passamos a oferecer máscaras descartáveis aos clientes, mantemos distância segura de 2 metros e reduzimos o horário de funcionamento. Antes abríamos às 10h e fechávamos às 19h, agora fechamos às 18h, e nos sábados abríamos às 9h e fechávamos às 15, e reduzimos para 10h às 14h.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Oferecemos máscaras descartáveis aos clientes, nossos funcionários utilizam máscaras laváveis. Todos que podem trabalhar o estão fazendo, tivemos uma pequena redução no quadro com demissões, infelizmente precisaremos ajustar ao fluxo de caixa pois muitos fornecedores passaram a vender exclusivamente com pagamento antecipado e com outros negociamos maiores descontos para pagamento antecipado, na outra ponta pressionamos os meios de pagamento e os bancos por taxas um pouco melhores. Como sempre a flexibilidade dos bancos  é bem menor do que do resto do mercado. A nossa maior frustração no Brasil sempre é com o sistema bancário. Pior do que o vírus para quem empreende!

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
O volume de vendas ficou muito reduzido já que só podemos vender insumos na oficina e produtos por telefone. Passamos a fazer o Leva e Traz das bikes com gratuidade para distâncias menores e a preços reduzidos para distâncias maiores. Para valores de manutenção mais altos também excluímos a taxa de entrega e retirada dentro do raio de 2km. Então aumentamos o custo, porém estamos nos adequando para não perder todo o embalo.

Também houve uma grande mudança no perfil de consumo, produtos como rolo de treinamento já estão esgotados e acessórios para eles também estão com procura muito aumentada. Um exemplo é o suporte de celular para guidão de bike que cresceu 200% em vendas. As bikes urbanas mais simples também tiveram bastante adesão já que a substituição do UBER, do carro e do transporte público é muito mais segura para a população.

As bicicletas de alto rendimento em compensação tiveram procura reduzida, muitos clientes que são do mercado financeiro e já pretendiam trocar suas bikes têm percepção de que vai faltar estoque num futuro próximo e adiantaram suas compras para não ficar na mão daqui quatro ou cinco meses, quando a crise do COVID-19 deve mostrar seu lado mais sombrio na economia, o efeito da redução de demanda agora é óbvio para a maioria dos setores, mas o efeito rebote posterior é muito difícil de prever, especialmente porque as importadoras e distribuidoras já vinham de um período de instabilidade no câmbio.

Não temos como minimizar. Temos como reduzir levemente, pois somos um dos setores que pode operar por conta da essencialidade e da necessidade de transporte. Lembrando que esse reconhecimento está diretamente ligado aos investimentos em infra  estrutura cicloviária feitos pela prefeitura nos últimos sete anos. Sempre acreditamos que a bicicleta pode salvar o mundo e nesse tipo de crise ou na greve dos caminhoneiros essa máxima fica mais clara para a população. Mas a percepção mais clara do quanto a bicicleta é boa para o indivíduo só vem quando ele tenta substituir outros modais pela bicicleta em seus trajetos urbanos.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
A primeira mensagem é de que precisamos acreditar na ciência. Acho tenebroso o momento em que vivemos, depois de termos um crescimento exponencial em tecnologia, que advém do conhecimento científico, vendo o quanto a ciência melhorou nossas vidas, duvidarmos da única coisa que pode nos salvar de uma vasta perda de vidas humanas. Tenho pais médicos e cientistas e irmãos acadêmicos e cientistas, eles são motivo de muito orgulho para mim.

A segunda mensagem é de solidariedade, sair de casa pode não te matar, mas mesmo não apresentando sintomas, você é um potencial vetor do vírus. Seja solidário,  quanto maior a sua desobediência ao isolamento social maior a chance de espalhar o vírus. Lembre-se que o SUS é essencialmente um sistema de saúde de solidariedade e hoje é o nosso grande trunfo para enfrentar essa ampla crise de saúde.

O momento de é reflexão, de questionamento, não podemos eleger a barbárie achando que não haverá uma crise como essa. Se essas crises avisassem antes de chegar nossa vida seria muito mais fácil. Agora estamos na fase de distinguir homens de ratos, homens que lideram e fazem o que precisa ser feito, buscam e oferecem recursos para a população, de ratos que se escondem, pregam que a ciência está errada, que não lideram nada além do seu rebanho de seguidores que repetem afirmações sem sentido e que vão causar milhares de mortes.

Em meu prédio perdemos um porteiro jovem, 40 e poucos anos, uma pessoa querida, seu aniversário se tornou a confraternização anual do condomínio. Uma grande perda, acho que quando deixamos de contar o número de mortos para falar em nomes de mortos a realidade cai em nossas cabeças e ombros como um iceberg de muitas toneladas.


 

| Leonardo Lorentz, sócio gestor da Carbono Zero

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
A quarentena prejudica todo mundo. Muitos clientes estão de portas fechadas ou trabalhando de casa. Nossa equipe interna pode ser dividida em quatro partes: uma de férias, outra no banco de horas, uma terceira coordenando nossa equipe de casa e a última, na qual eu me incluo, trabalhando em nossas bases. Nossa equipe externa, os bikers e pilotos dos veículos elétricos, está 10% de férias e 90% nas ruas, para que as  pessoas possam ficar em casa.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Do lado da saúde: divulgação intensa de todas as medidas preventivas, distribuição de álcool em gel e faixas de proteção, mudança em processos que apresentavam risco de contágio (como assinatura na tela do celular), vigilância rígida do comportamento em nossas bases. Do lado dos negócios, flexibilização para clientes e equipe seguir trabalhando conosco. Cliente parou, não paga. Funcionário parou, fica em casa de  férias ou em banco de horas.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Essa provavelmente será a maior oportunidade que teremos em nossas vidas para entender que a forma que estamos vivendo está errada. Não existe plano B para o planeta. Precisamos rever como vivemos, consumimos e nos relacionamos.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
A Carbono Zero vem crescendo há mais de 9 anos seguidos e acelerando o   crescimento há alguns meses. A crise reduziu a velocidade da expansão mas, ainda  assim, nosso faturamento aumentou 81% em março em relação ao ano anterior. É importante dizer que crescemos “apesar” da crise e não “por causa” dela.


 

| Juliano Mol Xavier, diretor de operações da Blue Cycle & Fishing Distribuidora S/A, distribuidora oficial da Shimano no Brasil. 

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Visando a saúde de nossos funcionários e tentando ao máximo diminuir os impactos da crise, a Blue Cycle redirecionou a maior parte de seus colaboradores do escritório de São Paulo para fazer home office. Os vendedores que trabalham na rua também estão em casa, mantendo o contato com os clientes por telefone, WhatsApp e e-mail, esclarecendo todas as possíveis dúvidas. Graças ao investimento que a empresa fez em tecnologia, hoje podemos continuar operando mesmo que de forma remota, o que não prejudica o desenvolvimento dos trabalhos. Continuamos trabalhando e seguindo as recomendações dos órgãos de saúde competentes a fim de evitar a disseminação desse vírus.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
O fechamento do comércio é o que mais atrapalha. Estamos confiantes que o negócio de bike vai voltar com força total, tão logo as lojas possam ser reabertas. Temos estoque para atender todas as demandas previstas e os embarques de produtos também estão normalizando. Acreditamos que a utilização da bicicleta não vá diminuir em função da pandemia – o que sim deve acontecer é uma redução momentânea – mas que logo estará normalizada. Sabemos que em vários locais os serviços de manutenção foram considerados como essenciais – o que faz total sentido -, por isso as oficinas das lojas estão funcionando. Isso de alguma maneira ajuda muito o lojista. Vale lembrar, que apesar do isolamento social, muitas pessoas trabalham em atividades essenciais e precisam de locomover. E a bicicleta, ainda mais neste momento, é uma ótima alternativa de transporte, pois, por exemplo, evita as aglomerações dos transportes públicos.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
O contato com o cliente é crucial na gestão de crise e as equipes de vendas interna e externa  estão tirando todas as dúvidas e orientando os nossos consumidores. O cliente também conta com o e-commerce (www.bluecycle.com.br), onde é possível encontrar a disponibilidade e variedade do catálogo de produtos e verificar os preços atualizados para alguma necessidade. Aproveitamos o momento em que muitas pessoas estão em casa para focar também nos treinamentos online, disponíveis através da plataforma S-TEC (http://s-tec.shimano.com/region.). Há duas semana, a Bue Cycle e a Shimano abriram 60 novos  módulos de cursos da sua plataforma online S-TEC (Shimano Technology Education + Certification) usada para qualificar profissionais de diversos países. O objetivo é capacitar pessoas que trabalham com a bicicleta, mecânicos, lojistas, vendedores e atletas abordando vários assuntos relacionados à manutenção e tecnologia dos produtos mais novos da Shimano, além de disponibilizar diversas dicas de mecânica. Se capacitar neste momento certamente dará à loja uma vantagem competitiva quando ela retornar a suas atividades normalmente.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
O pensamento tem que ser positivo: esse momento vai passar e vamos sair dele pessoas e empresas melhores. A mobilidade é essencial neste momento de crise, principalmente para as pessoas que usam transporte público e podem optar em ir ao trabalho usando a bicicleta. Acreditamos que essa “parada forçada” nos fará repensar muitas de nossas rotinas e também a forma como nos locomovemos pelas cidades – e isso pode dar um impulso grande às bikes! Quem pode trocar um metrô lotado por uma bike, certamente  irá fazer – está tendo essa experiência já. Isso sem contar com a considerável melhoria dos níveis de poluição nas grandes cidades. Isso é um grande convite para as pessoas apreciarem mais as atividades outdoor e também a repensarem o uso excessivo de veículos automotores. Cabe também enfatizar a necessidade de cada um sempre tomar cuidado com a sua saúde e a do próximo, se protegendo com os itens cruciais como máscaras e lavando sempre as mãos com água e sabão; sempre seguindo as orientações das autoridades competentes. E para finalizar, a Shimano remarcou o principal evento do mercado da bicicleta, o Shimano Fest, para os dias 10 a 13 de dezembro a fim de que o segmento tenha tempo de ir retomando a rotina de negócios aos poucos e que até lá, tenhamos passado de vez pela crise do COVID-19. Temos certeza de que a Feira de Negócios e o Festival da Bicicleta nessa data,  serão muito importantes para a retomada do nosso setor.


 

| Daniel Guth, diretor executivo

 1) Estamos monitorando de perto as empresas do setor, para entender os impactos e como podemos auxiliá-las.

 2) Através de diversas ações (inclusive judiciais) a Aliança Bike conseguiu o reconhecimento do serviço de mecânica e reparo de bicicletas como um serviço essencial em diversos Estados. Ainda faltam alguns Estados.

 3) Estamos promovendo lives (transmissões ao vivo) semanais com empresários do setor. Para debater e informar sobre os caminhos possíveis para sairmos da crise.

 4) Estamos acionando a justiça Federal para garantir o direito de prorrogação por 90 dias no pagamento dos tributos federais (segundo normativa da Receita Federal)

 5) A Aliança Bike está compilando as medidas de auxílio – trabalhistas, tributárias e dos bancos públicos – anunciadas até agora pelo governo federal e governos estaduais para socorrer as empresas e os trabalhadores.

Do mercado, entrevistamos alguns personagens que lutam com toda a garra pela sobrevivência de suas empresas e pela geração de emprego e renda.


| Ana Czarnobai Soccol, Gerente geral da Vandana Moto Peças 

 Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
 Há 14 anos no mercado, a empresa sempre priorizou os clientes e seus colaboradores. Estamos seguindo com rigor as orientações de segurança propostas pelos órgãos de saúde. Inicialmente fizemos férias coletivas e agora retornamos como parte dos serviços essenciais. Estamos atendendo da melhor forma possível, dando uma atenção especial a particularidade financeira de cada cliente, para que todos consigam superar esse momento adverso.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Assim como todos os setores, economia vinha dando sinal de crescimento. Já vinha sentindo um pequeno impacto com a alta do dólar e o aumento de preços das mercadorias e serviços. Agora com a quarentena sentimos rapidamente a queda nas vendas e o poder aquisitivo baixando. Estamos no começo dessa luta. Espero que seja mais suave do que se projeta.

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Em primeiro lugar, férias dos funcionários e atendimento intensificado nas redes sociais, whatsApp e televendas com entrega facilitada. Redução da carga horária com banco de horas. Enfim, estamos controlando despesas e investimentos para que o impacto da redução das vendas não proporcione um desequilíbrio maior no fluxo de caixa da empresa.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
É um momento delicado que o mundo inteiro está passando, com muitos erros e acertos. Com certeza teremos muitos desafios pela frente, mas com esperança e solidariedade e tendo sempre a vida em primeiro lugar vamos superar. Somos um povo sofrido em luta constante. A criatividade e a persistência se destacará os que  conseguiram passar por esta terrível crise humanitária e econômica.


| Pedro Haudenschild, gerente comercial da KSW Bikes

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Trabalhamos até  dia 3 de abril para entregarmos pedidos em carteira. A KSW está operando com algumas pessoas de plantão na fábrica para atender clientes com urgência. O faturamento está  em home office. Demais setores em férias coletivas.

Temos um bom estoque produzido e os recebimentos de matéria prima foram suspensos temporariamente.

Quais soluções sua empresa implementou para minimizar os efeitos da  crise?
Criamos uma condição de pagamento com carência de 60 dias para novos pedidos.

Renegociação de títulos personalizada, onde levamos em conta a situação de cada cliente.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Os negócios foram afetados drasticamente em virtude do comércio estar paralisado.

Praticamente não houveram pedidos nos últimos 15 dias.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Este é um momento muito delicado. Os efeitos serão muito ruins para todos, especialmente para os pequenos lojistas. O governo já está sinalizando carências de impostos e os fornecedores estão receptivos à negociações. Também teremos linhas de crédito especiais para a folha de pagamento. Teoricamente, tudo vai se ajeitar.  Porém,  podemos aproveitar o momento  para revermos margens de lucro. A grande maioria das lojas trabalha com margens mínimas de lucro. Ou  por falta de conhecimento para formação de preço de venda ou por receio da concorrência.

Agora que a receita caiu drasticamente, não tem caixa, nem poupança, nem reserva para atravessar a crise. Lojista, você precisa revisar a margem urgente. Outra coisa importante para fazermos é arrumar nossa ” gaveta”. Arrumar o site, o estoque, o cadastro de clientes, enfim, tirar o lixo da loja. Uma coisa que ganhou força nesta crise foi o e-commerce e as entregas.

Muita gente entende que o  e-commerce é concorrente. Ledo engano.  O mundo digital será uma ferramenta fundamental e que não utilizá-la estará fadado ao fracasso.

O que  era uma tendência,  foi acelerado e os poucos negócios que ocorreram nesta crise, foram feitos através da internet.

Não  podemos achar que estamos de férias e nem ficarmos desesperados. No Japão, o anagrama de crise é o mesmo de oportunidade. O significado depende da maneira como você o enxerga. Com certeza a bike sairá fortalecida da crise. Por tudo que ela pode representar em nossa vida: Transporte, Lazer, Saúde, Estilo de vida. Basta escolher a sua opção, a sua necessidade e lá estará a bike para te ajudar.


| Odilo Figueiredo, WIP Importação Exportação

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Muito difícil uma situação que afeta a todos os setores da economia em geral.

Separamos algumas ações a fim de evitar problemas internos e externos.

Nosso pessoal quando possível começou a trabalhar em home office de imediato, pessoal de campo, orientamos sobre proteção e os do grupo de risco, para que ficassem em segurança em locais sem contagio. Também providenciamos férias antecipada para todo nosso pessoal. Quanto ao mercado, temos conversado constantemente com clientes e colaboradores a fim de atualizarmos sobre a realidade em todo o país.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Deixamos de atender os clientes, o que vai enfraquecer nossos parceiros, pois dependem do faturamento diário nas lojas. A estrutura da empresa é solida e tem que segurar o bom quadro de funcionários que temos, e ao mesmo tempo acompanhar o curso dos custos que tem aumentado devido ao câmbio.

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Hoje estamos em férias, mas mesmo antes da quarentena, todos usam álcool gel em suas mesas e luvas e estamos providenciando que usem máscaras. Infelizmente recebemos máscaras vindas da Ásia, e as empresas de courier tem cobrado impostos altos, inviabilizando a proteção dos colaboradores.

Quanto aos clientes, temos conversado com alguns a fim de participar dos problemas econômico financeiro, além dos desdobramentos do que poderá vir a seguir. Nossos fornecedores são parceiros, não deixamos de comprar, e nem de vender, estamos aguardando o retorno das férias para tentarmos uma retomada de forma normal e com a esperança de que ainda teremos um bom ano de 2020. Pedimos a Deus que haja esta benção sobre este país.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Faço das minhas palavras, o mesmo que disse o ministro da Saúde. Assistirem um pouco menos de algumas televisões que só causam medo e desespero na população. Cada um tem uma sensibilidade, quando se fala em risco de pegar o vírus e as possíveis consequências que possam ter. Por tudo que tenho lido em notícias vindas lá de fora, nosso país tem muito menos problemas de contágio, pelo clima ser acima de 20 graus.  Esta pandemia  está sendo usada por alguns políticos a fim de desestabilizar o nosso pais. Creiam que em breve todos nós estaremos nas vidas normalmente, embora alguns deverão sofrer com o vírus, pois o contágio é muito rápido e quase que inevitável.


| Eduardo Gasperini – Diretor de Marketing e Desenvolvimento de Mercado da Specialized Bicycle Components

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Estamos fazendo vários webminars com os parceiros (lojistas e colaboradores), falando sobre temas que podem ajuda-los a melhorar seus negócios neste momento de reflexão, e também o que podem fazer para atender como serviço essencial para a sociedade.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Bicicleta = rua, trilha, estrada… Naturalmente as vendas caíram por conta das restrições atuais, porém as pessoas continuam interessadas pelo tema, aliás ainda mais interessadas portanto teremos um bom momento pela frente

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Todos em Home Office, trabalhando como nunca, falando com todos ao mesmo tempo, para garantirmos que estão seguros e ao mesmo tempo ativos.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Toda crise é uma oportunidade. Nesta temos a oportunidade de estarmos mais com nossas famílias, interagirmos mais com os amigos, pensarmos em como podemos ser pessoas melhores, como melhorarmos nossos negócios e, com tudo isso, sairmos dela com um mundo ainda melhor. Paciência, empatia, colaboração e comunicação… essenciais para passarmos pelo  momento.


Alejandro Tkaczuk, diretor da Avios Indústria 

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
As medidas estão sendo tomadas, dia a dia. Por hora os funcionários tiveram as ferias adiantadas e toda a programação de compras foram canceladas. Caso não se flexibilize algo medidas mais duras serão necessárias.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Realmente é um momento muito difícil e doloroso. Todos estamos sendo afetados diretamente. É hora de união de todos em prol da solução. E não apenas de apontar os problemas

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Diretamente. Desde a paralização total a empresa está parada. A inadimplência está nas alturas e o faturamento zerado. Nunca antes passamos por algo parecido.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Por hora somente as medidas já citadas. Funcionários de ferias, diretoria fazendo o trabalho home office. Fornecedores com suspensão de entregas e os clientes estão paralisados também.


| Daniel Bender – CEO da Hupi Bikes

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Nossa empresa seguiu as recomendações do Governo do Estado de Santa Catarina e a empresa trabalhou de home office com apenas um colaborador na expedição para atender os pedidos B2B e B2C. Após a segunda semana, demos férias aos funcionários e agora faremos uma redução de jornada de 50%. Os atendimentos continuam normalmente, bem como os despachos.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Nenhuma solução à curto prazo vai minimizar os efeitos da crise. Com o intuito de manter o  nosso quadro de funcionários sem demissões, estamos migrando para a redução de jornada e avaliando com nossos fornecedores os pedidos em carteira. O que vai ajudar a manter o nosso  custo é o nosso canal B2C.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Faturamento caiu 80% e não vejo perspectivas de melhoras em um curto prazo. Todo nosso planejamento estratégico está sendo revisto nesse momento.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Assistam menos Globo e mídias sensacionalistas! Pensem e administrar seus negócios de forma positiva.


| Luis Carlos Arsilo, Gestor da Calypso

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Acreditamos que da mesma maneira que todos estão tomando cuidados com higienização de pessoas, distanciamentos entre colaboradores, equipamentos, mobiliário deixando equipamentos de proteção à disposição de nossos colaboradores como mascaras individuais descartáveis, luvas, álcool gel disponível em todos os setores da empresa. Outro fato, disponibilizamos em alguns locais como banheiros, cestos com tampas com acionamento por pedal, papel descartável, copos descartáveis. Outra medida, suspendemos o atendimento presencial, reuniões, viagens de representantes e entregas neste período.   Abrimos os canais digitais da empresa: Site, WhatsApp, Instagram e telefones para facilitar a comunicação. Além disso, desde implantação da quarentena antecipamos férias coletivas para todos colaboradores internos até o período de 06 de abril de 2020.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Para quem pode, o melhor para este momento é ficar em casa para não proliferar o vírus e preservar as pessoas e proteger aqueles que terão contato. Utilizar mascara individual, realizar higienização das mãos com álcool gel ou sabão, e manter distanciamento de 2 metros entre as pessoas vai ajudar a combater esta epidemia que de fato tem ocasionado insegurança/ e pânico a todos.

 De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Assim como nossa empresa, todas foram afetadas por esta crise principalmente na parte financeira devido ao problema enfrentado nas vendas e agora em consequência de pedido de prorrogação de pagamento dos clientes que nos afeta diretamente. Outro fato seria a logística na entrega de produtos aos clientes onde temos que proteger nossos colaboradores e clientes no ato. Além deste problema temos a variação cambial referente a moeda dólar que também nos deixa bem preocupados com futuras reposições e manutenção de nosso estoque e evidente recaindo no aumento sucessivo de preço que temos que repassar aos clientes.

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
 Por enquanto estamos seguindo as orientações do ministério da saúde, governo e nos protegendo das formas descritas na primeira pergunta acima. Preservar o fator humano é essencial para a empresa bem como proceder com bom senso para que possamos seguir nossas atividades internas.


| Henrique Zompero, Escola Park Tool

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
A principal delas foi antecipar o lançamento dos nossos cursos de Ensino à Distância (EaD). Era algo que já estava sendo programado, mas aceleramos o processo por conta do momento que estamos vivendo. A ideia é poder ofertar paras as pessoas que estão com lojas fechadas ou com o  movimento baixo a oportunidade de se capacitar. E, quem sabe, na retomada terem um diferencial pra oferecer pros clientes.

Além disso, implementamos algumas soluções internas, como diminuir os custos operacionais ao máximo possível. Hábitos de consumo como lâmpadas acesas, ar condicionado o tempo todo acabamos diminuindo tudo o que deu. Também fizemos ajustes com fornecedores e minimizamos os custos operacionais. Tudo pra evitar passar qualquer reajuste aos nossos alunos por conta disso e gerar algum tipo de desconforto financeiro em médio e longo prazo.

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Mais das metade dos funcionários da Escola Park Tool está em home office, com carga horária reduzida. Fazemos reuniões e conversas sempre que necessário pra discutir os temas do dia a dia, e minimizar os efeitos da distância.

Com os nossos alunos, estamos remanejando todos que deveriam ter curso para começar na próxima semana, para a data que eles se sentirem mais confortáveis, sem mudança de custo, nem nada. Essa sempre foi a nossa forma de trabalho, sempre buscando encontrar soluções positivas. O momento só está evidenciando o que já temos como hábito na escola.

De que forma a quarentena afeta os seus negócios?
Não está sendo fácil lidar com tudo isso. Ainda é difícil saber como isso vai afetar, mas com certeza está afetando e vai continuar. A Escola está vazia, não estamos tendo aulas. Só tem a gente que está trabalhando na escola. De qualquer forma, acho que vai afetar, vai ser meio que uma Era Coronavírus: estamos em uma mudança de era de relacionamento com várias coisas, consumo, saúde, transporte. Nossos hábitos enquanto ser humano vão mudar com isso. Vamos saber como será depois da quarentena, quando as coisas forem voltando. Mas com certeza não vai ser como era antes.


| Roberta Galvão, diretora executiva da Promax Bardahl

Quais soluções implementou para minimizar os efeitos da crise?
Adotamos home office para as áreas cujas atividades permitem, como os setores administrativos. Além disso, reforçamos a produção e operação de atendimento para os setores essenciais para superar esta crise. Fabricamos produtos especiais voltados para segmentos importantes neste momento como agrícola, alimentício e farmacêutico. Intensificamos, também, a produção de itens que ajudam a combater essa pandemia, como o Limpa Tudo, espuma de limpeza de fácil aplicação, Limpa Vidros, que pode ser usado para limpeza de diversas superfícies e também Álcool em Gel.

Qual mensagem gostaria de deixar para as pessoas?
Primeiramente parabenizar os profissionais que estão garantindo os serviços básicos, profissionais da saúde, de serviços de infraestrutura das cidades como serviços de coleta de lixo e outros, bem como os atendentes de  supermercados, farmácias e a todos profissionais de entrega. Todos de extrema importância neste momento. A mensagem é que todos nós devemos fazer nossa parte com responsabilidade, entusiasmo e otimismo. Nossa indústria, por exemplo, vem tomando todos os cuidados necessários para garantir a integridade dos colaboradores e clientes e, como dissemos, mantendo nossa produção e atendimento. Dessa forma, garantimos que setores  fundamenteis para superar essa crise não parem. Estamos fornecendo lubrificantes especiais para indústrias vitais como de alimentos, farmacêutica e têxtil, lubrificantes para máquinas agrícolas e frotistas, que estão garantindo o fornecimento para supermercados e serviços de delivery, além dos produtos para limpeza e manutenção doméstica e automotiva citados anteriormente. Temos também o LPP, um aerosol de múltipla aplicação que serve como lubrificante, protetivo contra ferrugem e corrosão e desingripante, entre outras  funções.

De que forma a quarentena afeta os negócios da empresa?
A Promax atende diversos setores da economia e alguns continuam em franca operação, casos do agrícola, alimentos e frotistas (caminhões e entregadores de delivery). Por outro lado, com a determinação do fechamento do comércio, o setor automotivo teve queda considerável e postos de combustíveis tiveram movimento reduzido. Para ajudar nossos clientes, estamos negociando novos prazos para pagamento, sabendo que cada um fazendo sua parte conseguiremos amenizar os efeitos e superar este momento difícil.

Como a sua empresa está lidando com a quarentena? Tanto com os clientes, quanto com os funcionários, fornecedores e diretoria?
Além do home office para os setores administrativos, reforçamos as campanhas de informação de cuidados com a higiene pessoal junto ao pessoal da linha de produção, que continua trabalhando em nossa planta. As estações de trabalho são fixas e bem espaçadas e não são permitidas aglomerações. Disponibilizamos álcool para higienização em diversos pontos e espaçamos as mesas no refeitório. As reuniões presenciais com parceiros de negócios, fornecedores e clientes foram suspensas e o recebimento de mercadoria é realizado sem contato pessoal. Nossa logística é própria o que nos permite um controle melhor sobre os cuidados para a entrega. Todos os veículos estão equipados com álcool em gel para higienização e o processo de entrega também evita o contato pessoal. A diretoria continua monitorando o mercado e os movimentos econômicos no Brasil e no mundo, garantido que sejam adotadas as melhores práticas pelos gestores de cada área para manter a qualidade da prestação do nosso serviço e a integridade de nossos colaboradores, fornecedores e clientes.

Quais produtos da Promax Bardahl podem ser aplicados nas bikes?
Limpa tudo. Espuma de fácil aplicação que promove limpeza sem enxague, remove a sujeira nas superfícies.

LPP. Protege contra corrosão e ferrugem, desingripa e ajuda na remoção de peças emperradas e oxidadas.

Maxlube Kart Motos. Lubrificante desenvolvidos especialmente para correntes. Óleo com adesividade que não respinga e ação hidro-repelente que protege a corrente de umidade.

Veda Pneu. Reparador instantâneo que veda o furo e enche pneu, se aplica em pneu com ou sem câmara.

Reportagem por: Marcos Wojdyslawski, Osmar Silva e Joelma Farias










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