COMO PRIORIZAR E ORGANIZAR OS GASTOS DA EMPRESA DURANTE A CRISE

planilha-de-gastos

Com fluxo de caixa afetado, empreendedores podem ter dificuldade para honrar com todos os compromissos. Saiba como avaliar e agir em cada caso

Matéria: Pequenas Empresas Grandes Negócios

Folha de pagamento, fornecedores, aluguel, impostos. Os custos para manter uma empresa funcionando não são pequenos e exigem uma gestão financeira atenta. Mas o que fazer quando as contas que não estão fechando mais? Essa é a incerteza vivida por muitos empreendedores afetados pela crise do novo coronavírus.

Uma pesquisa realizada pela IntuitQuickbooks com 400 pequenas e médias empresas mostra que 70% delas não tinham um planejamento financeiro para períodos de crise. Já 60% acreditam que a pandemia de covid-19 vai impactar em mais de 50% o faturamento.

PEGN conversou com duas especialistas para entender como organizar e priorizar as contas a pagar nesse momento. Veja abaixo:

Comece pelo básico

Olhar para as finanças da empresa de forma geral é o primeiro passo. Júlia Ximenes, assessora econômica da FecomercioSP, destaca que um erro comum entre empreendedores é não separar as contas da empresa daspessoais. A prática pode tornar o planejamento ainda mais complicado agora. “A primeira coisa a se fazer é ter um processo de organização muito profundo. Se ele ainda não tem, precisa começar agora”, aponta.

Júlia também diz que, mesmo que as vendas estejam em baixa ou paradas, é preciso manter a rotina de abrir e fechar o caixa diariamente. Manter um software de gestão, uma planilha ou um caderno atualizado com as informações ajuda a acompanhar o fluxo financeiro. “Mesmo que não haja entrada, os custos vão continuar existindo. Por isso é importante ter planificação”, diz.

Salários e fornecedores

Organizadas as finanças, ela diz que o primeiro compromisso a ser honrado deve ser com os funcionários e fornecedores. “O mais importante é entender que esses pontos não podem ser deixados de lado”, diz. Uma das medidas anunciadas pelo governo para reduzir o gasto das empresas foi a possibilidade de redução de jornada e salário de funcionários, prevista na MP 936. Há ainda linhas de crédito para folha de pagamento.

No caso dos fornecedores, a recomendação é arcar com os pedidos já firmados, mas não necessariamente renovar as compras. A estratégia exata vai depender do estoque e do status atual das vendas da empresa – mas, de toda forma, vale ter cautela. “Por mais que seja difícil ter uma projeção, tenha em mente que as vendas ainda continuarão fracas por algum tempo”, diz ela.

Também vale tentar negociar a prolongação dos prazos de pagamento, sempre observando bem as pendências. “O recebimento das vendas não deve ser considerado sem olhar o pagamento dos fornecedores. Existe um fluxo que precisa ser respeitado.”

Aluguel, condomínio e outros contratos

Os gastos com o ponto comercial ou escritório também devem ser honrados, mesmo que isso signifique buscar uma redução no valor a ser pago. A assessora diz que este é o momento de tentar renegociar tudo o que for possível, seja em relação ao preço ou ao prazo para pagamento. “Essa é uma medida que vai ser determinante para a saúde financeira do empreendimento”, diz ela.

Impostos

O governo federal já anunciou a postergação do recolhimento de alguns tributos, como os do Simples Nacional, do PIS e da Cofins. A recomendação é continuar atento a essas e outras medidas para aliviar as contas como for possível.

Algumas empresas têm entrado na justiça para adiar o pagamento de tributos não inclusos entre as medidas. Um levantamento do escritório de advocacia Mattos Filho mostra que cerca de 2 mil ações desse tipo já foram registradas. “Pelas nossas contas, acreditamos que em 10% a 15% dos casos já houve diferimento”, aponta a advogada Glaucia Lauletta.

A avaliação das vantagens e desvantagens de arcar com os custos de uma ação como essa, segundo ela, depende do quão onerosos são os gastos com os tributos. Uma análise também deve ser feita por quem não tiver aval para adiar os pagamentos, mas precisar atrasá-los para arcar com custos mais urgentes.

“Deixar de recolher tributos, diferentemente da folha de salário e dos fornecedores, não implicará em paralisação imediata. Mas vai significar ser cobrado com multa no futuro”, aponta a advogada. Empresas que precisam da certidão negativa de débitos para atividades ou licitações também devem avaliar o ponto com cuidado.

“Se hoje elas estão impossibilitadas de pagar, devem ter um plano, mesmo que não imediato, para fazer um escalonamento dos pagamentos”, diz Glaucia Lauletta.

Matéria: Ana Laura Stachewski

Veja esta e outras entrevistas no site do Pequenas Empresas Grandes Negócios:
revistapegn.globo.com | https://url.gratis/lXd84



Top