ARTIGO Tirso Meirelles | O COMBATE AO DESALENTO

Aos 32 anos, o paulistano Daniel (nome fictício) está desempregado há dois anos e alterna períodos em que consegue um trabalho temporário com a busca, sem sucesso, de uma ocupação com carteira assinada. Irene (nome fictício), de 28 anos, também perdeu o emprego, mas decidiu seguir outra direção e empreender.  Seus doces, que faziam sucesso entre amigos, estão em diversos estabelecimentos da cidade e ela consegue viver exclusivamente da atividade.
Apesar dos nomes fictícios, as histórias acima são reais e refletem o cenário e as saídas encontradas pelos brasileiros para se adaptar aos novos tempos, em que mais de 3,1 milhões de paulistas estão desocupados, segundo o IBGE. E que pouco mais de 26 mil pessoas (0,8% do total) tomaram alguma medida para iniciar o próprio negócio. A grande maioria (84%) optou em buscar novo emprego com carteira assinada.
Parte desses resultados reflete o modesto crescimento econômico do Brasil nos últimos anos: 1,1% em 2018, 1% em 2017 e a projeção de 0,85% em 2019.  Mas não é só isso. Os avanços tecnológicos, a conectividade e a velocidade das informações pautaram as novas formas de produzir, consumir e de trabalhar. A principal mudança está no fato que o homem passou a ser gerador de conhecimento, abrindo espaço para um novo tipo de trabalho, o empreendedor.
Mesmo estando entre os países mais empreendedores do mundo, por que menos de 1% do pessoal desocupado enxergou a abertura de um empreendimento como saída para o desemprego? Esta é uma questão que envolve desde a esperança de conseguir um novo emprego com carteira assinada, ao desestímulo pelo insucesso das empresas, provocado especialmente pelo ambiente hostil para iniciar e manter um negócio – somente 17% das empresas que não têm acesso a tratamento diferenciado ultrapassam a barreira dos dois anos de atividades.
Vivemos uma era que exige soluções inovadoras, seja dos empresários, com a criação de produtos e serviços diferenciados, ou dos legisladores, com a urgente atualização do arcabouço legal que simplifica as regras para empreender, e também dos governantes e sociedade civil, com investimento maciço em educação empreendedora e acesso à inovação tecnológica e crédito produtivo.
Nessa direção, em breve, o governador do Estado de São Paulo e nós anunciaremos um programa que vai revolucionar o ambiente empreendedor paulista, simplificando a abertura de empreendimentos, capacitando e dando acesso a conhecimento, inovação e financiamento aos novos negócios e às empresas já estabelecidas.
No campo de cultura empreendedora, neste ano levaremos a mais de 200 mil alunos, do ensino fundamental ao superior, metodologias de aprendizagem que vão possibilitar o desenvolvimento criativo de ideias e projetos e o fazer acontecer.
Para aprimorar as questões de gestão, inovação e comportamento empreendedor, a equipe do Sebrae-SP, presente em quase 300 pontos físicos e no mundo virtual, está preparada para atender mais de 1,4 milhão de empresários até dezembro de 2019. É a nossa contribuição para que os paulistas virem a chave do desalento, passando de desocupados a empreendedores sustentáveis, que geram ocupação e renda, baseados na realidade do trabalho empreendedor.

Cyclo 232

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