MAIS MOBILIDADE URBANA EM SÃO PAULO

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Com o objetivo de promover a bicicleta como meio de transporte, a Mobike surge para oferecer ao ciclista urbano a estrutura necessária para pedaladas diárias

O aumento de cliclistas nas grandes cidades já é uma tendência mundial e paralelamente a esse movimento, surge também a necessidade de criar novos serviços que facilitem a vida de quem encara o pedal.

No Brasil, circulam pelas ruas mais de 70 milhões de bicicletas contra 50 milhões de carros, segundo dados recentes divulgados pela Abraciclo. Uma das principais explicações para esse ‘boom’ de duas rodas é o problema da mobilidade nas grandes cidades gerada pela falta de opções de meios de transporte. Os congestionamentos diários é o sinal mais evidente de que o poder público não vem investindo como deveria na ampliação e melhorias dos serviços de transporte coletivo.

Pensando em proporcionar a melhor experiência para quem usa o pedal para se locomover pela cidade, os empresários Francisco Macedo e Célia Padilha se uniram para criar a Mobike, empresa de soluções para mobilidade urbana que tem o objetivo de estimular o uso da bicicleta como meio de transporte. O lugar oferece ampla estrutura que inclui produtos e serviços fundamentais aos ciclistas urbanos.

Localizada no 2º subsolo do shopping Eldorado, zona sul de São Paulo, próxima à ciclovia da Marginal Pinheiros, a Mobike foi criada, em 2016, mas o seu bike point foi inaugurado somente esse ano.

A preocupação com o impacto ambiental aparece também no espaço físico da Mobike, uma vez que a loja foi decorada seguindo o conceito de contêiner. Para transmitir os princípios da marca, uma área recebeu a intervenção artística do arquiteto e urbanista Fabio Panone Lopes, que fez um grafite que representa o ideal urbano da Mobike. Com tudo isso, a intenção é fazer com que as pessoas enxerguem a bike como um meio de transporte, que não somente facilita a vida de todos, mas também auxilia na manutenção da saúde de cada indivíduo.

Transformando sonho em realidade
Em 2015, logo nos primeiros momentos da crise no Brasil, diversas empresas baixaram as portas ou reduziram seu quadro de funcionários.Houve corte no número de funcionários da siderúrgica onde Francisco Macedo trabalhou por mais de uma década. Diante dessa nova realidade, o empresário pensou em um negócio não apenas para ganhar dinheiro, mas pensou em algo que fizesse bem para as pessoas, e usando a sua experiência pessoal, escolheu uma atividade que envolvesse a bicicleta.

“Há dez anos atrás, fui realizar um check-up e estava com 20 quilos acima do peso e meus exames apresentavam diversos problemas que, somados a um histórico familiar que não me favorecia, me proporcionavam poucos anos de vida. Quando cheguei em casa, decidi vender o meu carro para comprar uma bike, e os resultados vieram assim que adotei a bicicleta como meio de transporte. Após um ano pedalando diariamente, repeti o check-up e havia perdido 18 quilos e os exames me deram outra perspectiva de vida. Com o dinheiro que eu economizei com os impostos do carro, seguro e gasolina, viajei para a Disney com o meu filho”, conta Francisco Macedo, um dos sócios da Mobike.

Para colocar em prática o seu novo projeto de vida, não foi nada fácil, tudo porque no momento da decisão do empresário, as estruturas cicloviárias estavam começando a surgir na cidade de São Paulo e as condições eram arriscadas para um ciclista se aventurar no congestionado trânsito da cidade. “A infraestrutura que havia no prédio onde eu trabalhava viabilizou o meu ir e vir de bicicleta. Se não existe uma estrutura pensada para bicicletas, não há como usar a bike como meio de transporte. Viver a situação me ajudou muito no meu processo de criação do modelo de negócio”.

A Mobike surgiu para dar apoio ao ciclista
Francisco Macedo foi atrás de quem pudesse ajudá-lo a desenvolver o projeto. Logo no topo da sua lista de preferências do empresário estava o nome da gerente de marketing Célia Padilha, que o auxiliou na criação da empresa de soluções para mobilidade urbana. “A Célia era funcionária de uma agência que prestava serviços a siderúrgica na qual eu trabalhava, daí montamos o conceito da Mobike. Desenvolvemos um projeto que visa apoiar o ciclista em todas as suas necessidades. Não que a gente não atenda os outros segmentos de esporte, lazer e diversão, mas o nosso foco é viabilizar a bicicleta como meio de transporte”, explica Francisco.

A Mobike nasceu seguindo uma tendência mundial onde estabelecimentos comerciais surgem para dar suporte ao público que usa bicicleta no dia a dia, além de oferecer estrutura completa para promover esse meio de transporte. Localizado no Shopping Eldorado, um dos endereços mais movimentados de São Paulo, a loja multisserviços fica bem próximo à ciclovia da Marginal Pinheiros e trabalha com diversas marcas, tais como: Shimano, Abus, Sense, Groove, TSW, HighOne, Velo.co, FreeForce, Thule, Camelbak, Curtlo, Maxxis, entre outras. No local, o ciclista encontra estacionamento, chuveiro, guarda-volumes, locação de e-bikes, oficina, venda de vestuário, peças e acessórios.

Além de oferecer soluções ao ciclista, a empresa promove às quintas-feiras o “Quinta Mobike”, passeio gratuito de bike, com um percurso de 20 km por diversos pontos da cidade de São Paulo. O intuito da ação é promover um encontro semanal entre os amantes de bike e as pessoas que desejam melhorar a sua qualidade de vida, além de mostrar que utilizar a ‘magrela’ pela cidade pode ser vantajoso e prazeroso. Os passeios “Quinta Mobike” são realizados com o apoio de guias experientes e reúnem, aproximadamente, 30 amantes do ciclismo por evento. O ponto de partida é a sede da Mobike, no Shopping Eldorado. Também há passeios aos domingos para toda a família.

A instituição desenvolve, ainda, projetos para a transformação de espaços públicos e privados, o ‘Bike Friendly’, que oferece bicicletaria, passeios ciclísticos, espaço para manutenção das bikes e vendas de peças e acessórios em pontos estratégicos da cidade. E as crianças não ficaram de lado, para elas há o Mobike Kids, projeto que desenvolve trabalhos educativos para conscientizá-las sobre os benefícios da bicicleta como meio transporte e dos direitos e deveres dos ciclistas.

“O que a vendemos não é a bicicleta, porque ela é o meio. Vendemos a qualidade de vida, ganho de tempo, redução de custo por meio de produtos e serviços agregados a ela. Nesse projeto, queremos ser reconhecidos como uma rede de apoio ao ciclista”, comenta Francisco Macedo. O empresário comemora o sucesso da unidade de Pinheiros e promete expandir o negócio abrindo filiais. Também não descarta franquear a marca. “Esse é o primeiro point, mas estamos trabalhando um plano de expansão que visa ampliar o negócio à outras unidades”, finaliza Francisco Macedo.

 

Texto e imagem Joelma Farias

Edição 229 Cyclomagazine – Folheie

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