MERCADO DE BICICLETAS PODE AVANÇAR AINDA MAIS

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O 23º Encontro de Negócios Cyclomagazine, reuniu marcas de destaque no mercado nacional de bicicletas. Para aumentar as vendas, empresários do setor, ansiosos por mudanças que atraiam mais ciclistas para as ruas das grandes cidades brasileiras, apresentaram sugestões para melhoria da mobilidade urbana com uso da bike

Nos dias 25 e 26 de maio, foi realizado no Dayrell Hotel & Centro de Convenções, em Belo Horizonte (MG), o 23º Encontro de Negócios, promovido pela revista Cyclomagazine. O evento reuniu empresários do segmento de bicicleta e partes, com o objetivo de estimular novos negócios. A movimentação foi intensa durante os dois dias.

Importantes fabricantes e distribuidores expuseram seus produtos e revelaram as principais novidades que serão tendência no mercado. Foram convidados para a ocasião, atacadistas, bike shops e lojistas de Minas Gerais e de estados vizinhos. Expositores presentes: Algoo, Athor, Audax, Barbedo, Biape, Bicicletas Galileus, Blue Cycle, Carrera, Ciclo Cairu, Curtlo, Damatta, Evoke, Foxxer, Gantech, Grupo Cintya, Intac, Isapa, JP Peças e Bicicletas, Kalf, Livon Bike, LM Bike, Lotus Bike, Microshift, Nathor Bicicletas, Nek, Oggi Bikes, PróRoll, Royal Pro, Sol Sports, Sousa Bikes, Sudract, Total Maxparts, Ultra Bikes, Viper, Vzan e WRP.

O evento foi realizado em meio a greve dos caminhoneiros, movimento que paralisou o país de 21 a 30 de maio impedindo serviços de fornecimento de combustíveis e distribuição de produtos e alimentos, levando o país à beira de um colapso. Caminhões bloquearam parcialmente as rodovias, impedindo a passagem de veículos pesados que transportavam qualquer tipo de carga. A principal reivindicação da categoria era a redução dos impostos que compõe o preço diesel até a bomba, como o PIS-Cofins. Também foi exigida a fixação de uma tabela mínima para os valores de frete.

Apesar do movimento grevista ter sido prejudicial a diversos setores da economia, a paralisação não impediu o sucesso do 23º Encontro de Negócios, que recebeu visitantes de Minas Gerais e estados vizinhos, que prestigiaram o evento. Negócios foram fechados e parcerias foram firmadas entre os presentes.

Com o mercado de bicicletas a todo o vapor, a revista Cyclomagazine perguntou a alguns dos empresários presentes no evento, o que é preciso mudar para aumentar as vendas do setor. Em muitos pontos, as respostas são semelhantes. Há um consenso entre os agentes do setor de que é preciso a criação de novos projetos que promovam mais ciclistas nas ruas, sobretudo nas metrópoles.

Todos os entrevistados concordam que é preciso tornar as ruas seguras para a circulação de ciclistas. Para eles, projetos, iniciativas e tecnologias que sejam voltados para o aumento do ciclismo urbano, são muito bem-vindos. Os empresários ressaltam o quanto é importante um movimento que promova a educação no trânsito para reduzir os índices de acidentes envolvendo a bicicleta.

 

OPINIÕES DE ALGUNS EXPOSITORES PRESENTES

As ciclovias de São Paulo, mesmo que tenham sido feitas sem o devido planejamento, foram essenciais para criar condições favoráveis para melhorar a mobilidade na cidade. Mas, apesar do avanço, é preciso mais. É necessário promover infraestrutura adequada que ofereçam segurança no seu ir e vir, paraciclos, bicicletários e maior oferta de espaços que ofereçam banheiros com chuveiro para um banho após o pedal. Ações como essas podem aumentar o fluxo de bicicletas pelas ruas.

Existem poucas iniciativas individuais nesse sentido, em pequenos cafés e alguns pontos de bike que oferecem essa comodidade ao ciclista, mas esse ainda é um serviço voltado para o público elitizado. A mobilidade é para todos e esse processo já está acontecendo pelo mundo, mas ainda é muito incipiente no Brasil. O processo é longo para aumentar o número de ciclistas nas ruas. Essas raras inciativas são fundamentais para o setor, mas ainda há muito para ser conquistado”
FERNANDO OLIVEIRA
– FUNDADOR DA MARCA CURTLO 

 

A mobilidade na Europa é um exemplo. Lá, as pessoas só tiram os carros da garagem para viagens de longa distância. Até mesmo altos executivos pedalam de casa para o trabalho.

As ciclovias que temos aqui no Brasil são mal planejadas e não oferecem segurança necessária para os ciclistas.

Solução existe, mas o governo não resolve a questão porque evita se indispor com o setor automotivo. Precisamos nos unir em prol de mudanças que beneficiem o mercado de bicicletas”.
DANIELE ELOI
– GERENTE COMERCIAL DA WRP 

 

Há 27 anos sofremos todo o tipo de politicagem de governos que não ajudam a otimizar a produção da indústria nacional, só almejam os lucros. É difícil manter uma empresa saudável com esse cenário. É triste ver a dificuldade que enfrentamos e saber que temos um grande potencial produtivo, mas não avançamos como deveríamos porque não recebemos incentivos. O setor industrial é importante para impulsionar o crescimento da economia de qualquer país.

A carga tributária é um outro problema sério que também precisa ser resolvido. É estranho saber que temos vantagens para importar, mas a produção para o mercado interno é quase inviável. Isso é totalmente desleal. Como gerar empregos no Brasil sem os devidos recursos internos?

Para mudar a situação, precisamos de uma grande renovação dos poderes, caso contrário continuaremos impedidos de mostrar quão fortes nós somos”.
FERNANDO PRADI
– GERENTE COMERCIAL DA SOL

 

Em Guarulhos, cidade onde moro, há uma carência enorme de vias adaptadas para bicicletas. Com essa falta de estrutura, os ciclistas se arriscam no meio do trânsito, disputando espaço com os carros e com motoristas que, muitas vezes, não respeitam os ciclistas. A educação no trânsito é fundamental para que o tráfego flua com harmonia e menos acidentes.

As administrações municipais têm papel fundamental na criação e manutenção da infraestrutura necessária para a locomoção de ciclistas pelas cidades. O ideal é que a bicicleta tenha o seu espaço reservado, e na ausência dessas vias, é preciso fazer o uso mais democrático das ruas com pedestres, veículos e bicicletas.

Precisamos de apoio político para ampliar esse mercado”.
GUSTAVO DEL GRANDE
– REPRESENTANTE COMERCIAL DA SOUSA MOTOS

 

Vivemos num cenário onde a bicicleta tem mais tributos do que um carro ou uma moto, tornando-se inviável a popularização desse importante veículo. Se houvesse políticas públicas que propagasse vias adaptadas que ligassem os principais pontos das cidades brasileiras, teríamos uma população mais saudável e ativa.

Eu vejo um setor forte, que está em plena expansão e desenvolvimento. O mercado, até então, tinha cerca de quatro ou cinco grandes players no setor de bicicletas, hoje esse mercado se pulverizou bastante. Entendo que para avançar ainda mais, é preciso ter uma categoria forte e bem representada por uma liderança que aglutine todos os players, para uma mobilização com outros segmentos empresariais e comerciais. Isso vai realmente fortalecer o nosso país na defesa desses valores e interesses relacionados a mobilidade e fomento ao ciclismo”.
ADILSON BARRETO DE SOUSA
ANALISTA DE NEGÓCIOS DA LIVON BIKE

 

Essas opiniões foram extraídas de parte das empresas presentes. Infelizmente, não conseguimos os depoimentos de todos os expositores presentes no 23º Encontro Cyclomagazine, em Belo Horizonte.

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