Cresce busca por lowrider, a bike com ‘DNA’ do dono

SCA SÃO PAULO 30/06/2016 - METRÓPOLE - ESPECIAL DOMINICAL EXCLUSIVO EMBARGADO - Fotos do empresário Antonio Carlos Batista Filho, o Alemão, proprietário da empresa Outra Vida, que produz bikes no estilo Lowrider.Fotos dos modelos em exposição e tamb

Assim como a personalização, o preço não tem limite nas oficinas de SP, partindo de R$ 2,5 mil; expert viu procura crescer 60% em 1 ano

 

Ter uma bicicleta no modelo lowrider permite a certeza de chamar a atenção. Influenciadas pelo movimento dos jovens filhos de mexicanos que customizavam carros na Los Angeles dos anos 1950, as bikes chamativas e cheias de personalidade estão ganhando cada vez mais adeptos na capital. Mas é preciso ser paciente para circular com uma dessas e é necessário mergulhar em um projeto de criatividade e dedicação que dura, no mínimo, três meses.
Um dos nomes mais conhecidos da cultura lowrider em São Paulo, o estilista e empresário Antônio Carlos Batista Filho, de 50 anos, mais conhecido como Alemão, teve a primeira bike nesse estilo em 1994 e, desde 2000, responde pela Otra Vida Bike, empresa que produz as bicicletas. “A lowrider sempre tem a característica do dono, que traz um tema e uma cor. A pessoa pode começar o seu projeto com um quadro que veio de um ferro-velho, pode achar o banco em uma feira, trazer um acessório. Você vai longe nos temas e a customização é infinita, tanto do cliente quanto de quem está construindo.”

SCA5207 SÃO PAULO 30/06/2016 - METRÓPOLE - ESPECIAL DOMINICAL EXCLUSIVO EMBARGADO - Fotos do empresário Antonio Carlos Batista Filho, o Alemão, proprietário da empresa Outra Vida, que produz bikes no estilo Lowrider.Fotos dos modelos em exposição e também de Samir Nascimento Tomazetti e Max Montês, que tem um,a bike produzida por Alemão.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Público-alvo. Ele diz que o público que adquire os modelos é variado. Vai desde crianças na faixa dos 9, 10 anos, que ganham o modelo de presente dos pais, até ciclistas com 60 anos de idade.
A Otra Vida Bike também é um clube, mas não é fácil ser membro. Atualmente, há 16 participantes e 15 pessoas na fila. Para entrar, é preciso ser realmente um amante da cultura. “Exige disciplina, elegância, orgulho, respeito, raiz e razão. Os clubes são tratados com muita seriedade e têm suas regras. Se alguém almeja ter uma placa ou uma camiseta, tem uma caminhada”, afirma Alemão.

SCA5309 SÃO PAULO 30/06/2016 - METRÓPOLE - ESPECIAL DOMINICAL EXCLUSIVO EMBARGADO - Fotos do empresário Antonio Carlos Batista Filho, o Alemão, proprietário da empresa Outra Vida, que produz bikes no estilo Lowrider.Fotos dos modelos em exposição e também de Samir Nascimento Tomazetti e Max Montês, que tem um,a bike produzida por Alemão.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.
Proprietário da empresa Evolux, que também trabalha com os modelos, Cedric Kessuane, de 39 anos, diz que a produção é mais lenta por ser um processo artístico. “É impossível ter a bike em um mês. Demora muito tempo e, por isso, tem um valor agregado. A primeira que eu fiz demorou nove meses para ficar pronta e a graça é a fabricação. As pessoas pegam amor, porque vão acompanhando[CADA ETAPA].”
No caso de Kessuane, a alta procura tem sido por partes das bikes. “Comecei com lowrider em 2003 e, como é muito específico, tinha parado. Mas agora teve um aumento de procura por peças. Estamos vendendo banco, suspensão para pessoas que estão montando pouco a pouco em casa. No mínimo, a procura dobrou.” Assim como os carros rebaixados que essa cultura eternizou, as bicicletas também podem receber um jogo de suspensão para pular.
O empresário diz que, com as ciclovias, mais pessoas estão customizando as bicicletas e é provável que as bikes lowrider sigam o mesmo caminho. “A lowrider vai seguir o mesmo rumo, porque há uma conexão entre o Brasil e o México. As culturas são parecidas.”

SCA5198 SÃO PAULO 30/06/2016 - METRÓPOLE - ESPECIAL DOMINICAL EXCLUSIVO EMBARGADO - Fotos do empresário Antonio Carlos Batista Filho, o Alemão, proprietário da empresa Outra Vida, que produz bikes no estilo Lowrider.Fotos dos modelos em exposição e também de Samir Nascimento Tomazetti e Max Montês, que tem um,a bike produzida por Alemão.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.
Vitrine. Sempre que vai dar uma volta com a sua lowrider branca, o estudante Max Montes, de 16 anos, acaba tendo de falar um pouco sobre a bicicleta que guia. “É uma bike diferente. Qualquer lugar que chega, é uma vitrine. O pessoal pergunta quem fez.”
A aquisição foi há sete meses e a espera para ver o resultado chegou a quase cinco. “Imaginei um grupo que tem em um jogo de videogame e superou o que eu queria.”
Morador de Jandira, na Grande São Paulo, Montes diz que tem visitado mais a capital não só para dar upgrades na bicicleta, mas para passear. “Ando no meu bairro e participo de eventos. Vou bastante a São Paulo, tenho ido cada vez mais. Ainda não fui, mas pretendo ir à Paulista em um domingo para ver como é para quem vai de bike.”

Fonte: Estadão

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