Movimento pressiona poder público para implantar ciclovias em bairros periféricos de São Paulo

ciclovianaperiferia_viladionisia_fotoCicloZN

Mesmo com a inauguração emblemática da ciclovia da Avenida Paulista, em 28 de junho, e um plano do poder público que prevê a entrega de 400km de infraestrutura cicloviária até o final de 2015, as regiões da capital fora do centro expandido ainda carecem de vias exclusivas que conduzam com segurança os usuários de bicicleta até a região central da cidade. A demanda está no foco da campanha #ciclovianaperiferia, integrada por coletivos como CicloZNBike Zona Oeste e Bike Zona Sul.

De acordo com Roberson Miguel, integrante do CicloZN e membro da Câmara Temática da Bicicleta do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transportes de São Paulo), faltam menos de 30% para a conclusão do projeto Ciclovia SP, mas ainda há demandas importantes a serem contempladas, principalmente no que diz respeito a vias rápidas e de ligação ao centro de São Paulo. “A maioria dos trabalhadores sai da periferia para o centro. Tem de haver estrutura nesses lugares”, observa.

Vias expressas

Segundo Roberson, há demandas específicas para vias expressas como a Radial Leste, cuja ciclovia precisa ser concluída até o centro, e em avenidas como a Inajar de Souza e Raimundo Pereira de Magalhães, na zona norte. “Essas são grandes avenidas que levam todo mundo à marginal, ou a grandes centros locais, com bicicletários maiores no trem”.

Ele menciona que várias regiões já contam com alguma infraestrutura, às vezes intrabairros, como no caso da zona sul, mas que em outras, como nas zonas norte e leste, as ciclovias existentes não formam uma rede, nem entre um bairro e outro e nem como ligação com o centro. “A ciclovia que há no Jardim Helena (extremo leste) chega até a estação de trem, mas o bicicletário já não dá conta. E não é possível embarcar com a bicicleta”, aponta.

Protesto realizado durante a inauguração da ciclovia da Av. Paulista. Foto: Ivson Miranda

foto: Ivson Miranda

Mobilização

Além de tentar sensibilizar a prefeitura de São Paulo no próprio dia da inauguração da ciclovia da avenida Paulista, o movimento #ciclovianaperiferia está tentando sensibilizar vereadores, tanto da base aliada do executivo quanto da oposição. “Uma parte das críticas tanto de parlamentares quanto da mídia é de que as ciclovias eram mais necessárias na periferia do que no centro expandido. Queremos aproveitar isso para fazer pressão para o uso do orçamento das ciclovias nos bairros”, defende Roberson.

Ocorrências

De 2010 a 2012, dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostravam que o bairro com maior registro de acidentes era o Jardim Helena, na zona leste. No mesmo período, no entanto, foi a zona norte, mesmo com área menor em comparação às demais regiões, que concentrou a maior letalidade (acidentes com morte) entre as ocorrências, com 2,61 acidentes fatais a cada 100 mil habitantes. Em segundo lugar vem o centro, com 2,09 mortes a cada 100 mil habitantes.

Para Roberson, esses números decorrem de duas políticas implantadas nos últimos anos na capital. Além do aumento do limite de velocidade, a diminuição do tamanho das faixas de rolamento para 2,5m desfavoreceu o uso dos “corredores” e o compartilhamento do espaço com quem utiliza a bicicleta, aumentando a probabilidade de atropelamentos.

fonte: Va de Bike

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