48% dos manauaras iriam de bicicleta para o trabalho, aponta enquete

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Mesmo sendo sustentável e barata, a bicicleta continua atrás do carro como meio de transporte preferido pelas pessoas ao irem ao trabalho. Este foi o resultado apontado em uma enquete feita pelo G1 durante o final de maio e começo de junho deste ano.

Na pesquisa, 52% dos votantes afirmaram que preferem um automóvel a usar a bicicleta como forma de chegar ao local de trabalho. Para quatro pessoas em Manaus consultadas pela reportagem do G1, o resultado não chega a ser surpreendente, mas cada um delas encara a situação de maneira diferente.

Membro do movimento ‘Pedala Manaus’, grupo criado em 2010 e que reúne semanalmente em torno de 300 ciclistas para circular na cidade, o servidor público Paulo Albuquerque disse ter se surpreendido por 48% das pessoas terem aprovado a ideia de trocar o carro pelas bicicletas.

“Apesar de o ideal ser que a maioria apoiasse, o número é bom. Acho que poderia haver mais campanhas públicas feitas pelos governos federais, estaduais e municipais conscientizando as pessoas sobre os benefícios de andar de bicicleta”, declarou.

Adepto à cultura de ir de bicicleta ao trabalho, Paulo admite que é um desafio andar pelas ruas de Manaus usando esse tipo de transporte devido às constantes ondulações e buracos nas vias públicas. “Para piorar, ainda faltam ciclovias, o que expõe os ciclistas aos riscos de terem de dividir as ruas com os automóveis”, reclamou.

Já o estudante de medicina da UEA, Evilásio Bié Filho, acredita que o resultado favorável aos carros na enquete se deve, acima de tudo, ao fato dos planos de mobilidade urbana não serem pensados para o uso de transportes alternativos, entre eles, a bicicleta. “Apesar do ótimo momento que o mercado de bikes está vivendo atualmente em Manaus, ela continua sendo vista pelas autoridades como um meio de transporte voltado para a diversão e lazer”, afirmou.

Para Evilázio, os motoristas de automóveis em Manaus já estão mais conscientes e tolerantes quanto ao espaço dos ciclistas, porém afirmou que já passou por apuros nas ruas da capital. “Quando estou em grupo com meus amigos, os motoristas respeitam mais. Porém, já houve situações quando estava sozinho em que, por pouco, não me acidentei, devido a imprudência do condutor do veículo”, revelou, sendo que, há 3 anos, ele passou a utilizar a bicicleta como uma opção para fazer viagens de curta distância.

Sedentarismo, Insegurança e Comodidade
O maior inimigo da estudante de medicina Safira de Carvalho para encarar a ida à residência na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) de bicicleta é o sedentarismo. “Falta coragem para que eu pegue uma bike e vá até faculdade. Sou pouco atlética”, admitiu.

Outro fator considerado por Safira como desanimador para a prática do ciclismo em Manaus é o clima quente da cidade. “Além disso, temo muito pela segurança dos ciclistas. Aqui na capital, nem todos os motoristas tem consciência. O ideal seria que houvesse uma pista exclusiva para quem prefere esse meio de transporte”, declarou.

O administrador de empresas Antônio Seffair não se espantou com o resultado e acredita que o uso da bicicleta como meio de transporte para chegar ao trabalho só é possível para curtas distâncias. “Aqui em Manaus, se a pessoa quiser ir de bicicleta para o trabalho, corre o risco de chegar completamente suada por causa do calor ou molhada com as constantes chuvas”.

Segundo Antônio, o carro oferece uma série de benefícios em relação à bicicleta, como conforto, ter a possibilidade de se levar mais bagagens e pessoas, além do fato de ser mais rápido.

Sobre a possibilidade de criação de ciclovias em Manaus, ele se mostra preocupado: “O maior problema de você reservar faixas exclusivas para bicicletas nas principais ruas da cidade é que iria diminuir o espaço de circulação dos carros, piorando o trânsito. Nossas ruas, infelizmente, são muito estreitas para esse tipo de intervenção”.

Antônio ressaltou ainda que, assim como os motoristas, os ciclistas também são imprudentes, pois, segundo ele, muitos deles acabam trafegando no meio dos carros.

Fonte G1

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